segunda-feira, 5 de março de 2007

Teatro do absurdo

Em São Paulo, uma jovem de 13 anos torna-se paraplégica devido a uma bala perdida, durante um assalto a banco. No Rio, uma jovem de 13 anos morre, vítima de bala perdida, durante confronto entre bandidos e polícia, na Zona Norte da cidade. Situações cotidianamente tristes das capitais brasileiras. E o pior de tudo é que não chocam mais como antes. É preciso, para virar capa de jornal, para levantar discussão na sociedade, para chamar a atenção do Congresso Nacional, que arrastem uma criança durante sete quilômetros. É necessário atear fogo ao carro de uma família inteira, para que haja a necessária revolta em situações como essa.

Perder os movimentos das pernas ou jogar fora uma vida cheia de sonhos e potenciais já não é mais chocante. Morrer de tiro hoje é doença. Não vende mais jornal. Esse é o pior dos indicativos que podemos encontrar nesta situação de violência. É nele que mora o meu medo. Não sei o que deve ser feito. Minha contribuição é inversa e reza o que não deve ser feito. Não podemos mais ficar esperando da mídia (ao menos daquela ligada nas massas) grandes contribuições. Ela se preocupa em vender mais que a concorrência. Não podemos mais achar que passeatas de branco, camisas pretas ou fotos no orkut servem para alguma coisa. Os sinais do crime são muito mais palpáveis e causam muito mais estragos. Não adianta culpar o outro. Temos de nos implicar nesses problemas.

Fica a sugestão de uma medida que tomei há tempos. Não esqueço o nome das pessoas que votei. Cobro elas. Por email, telefone e carta. Não obtive grandes resultados, é verdade. Mas talvez, com mais algumas milhões de pessoas lotando seus mailboxes, ou congestionando seus telefones, pode ser que alguma coisa a mais aconteça. E dessa vez, para o nosso bem.

Um comentário:

ANNA disse...

A situação está beirando o absurdo. Não acho que devemos tomar atitudes por revolta ou raiva, mas não dá para ficar calado. Todo dia dói ouvir, ver ou ler notícias sobre situações hediondas como a dessas duas jovens e de tantas outras pessoas.
Muito antes desses absurdos se tornarem frequentes em nossas vidas passei a ter mais cuidado para votar e não esquecer em quem votei. Eu também cobro meu voto. Não esqueço os deputados e vereadores em quem votei, nem seus e-mails. Mando correio eletrônico e se não responderem, mando de novo e mando novamente, até responderem. Estou tal qual o meu colega, ainda sozinha, mais na esperança de um dia as pessoas aproveitarem melhor seu voto e passarem a incomodar esses caras também. Concordo também que culpar o outro, na situação que vivemos hoje, não nos isenta mais de culpa. Eu acredito e quero um País melhor!